Diga não ao imposto sindical VOLTAR

Artigos, Clipping e Notícias

Pelo fim do imposto sindical: nosso principal objetivo é fortalecer os sindicatos representativos, diz presidente da CUT

14/04/2012

Escrito por: Luiz Carvalho

Na manhã desta sexta-feira (13), a CUT promoveu o segundo ato público da campanha por liberdade e autonomia sindical. Os paulistanos que passavam pelo vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, puderam participar do plebiscito que a Central promove para acabar com o imposto sindical e substituir a cobrança por uma contribuição negocial definida pelas categorias em assembleia.

O imposto sindical é aquele valor equivalente a um dia de trabalho debitado no mês de março de todos que possuem carteira assinada, mesmo que não sejam sindicalizados. A cobrança criada em 1943 também vale para as empresas, nesse caso, com repasse destinado a entidades patronais.

Mesmo impedidos pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) de usar o microfone, sob alegação de que a convocatória ao público poderia ser confundida com uma manifestação contra o prefeito Gilberto Kassab, que visitava o museu – como se fosse ilegal protestar contra o governo –, os militantes presentes não deixaram de dar o recado à população.

O presidente da CUT, Artur Henrique, era um dos que abordavam as pessoas com panfletos e o convite para que registrassem o voto sobre o fim do imposto e deixassem o nome no abaixo-assinado contra a cobrança. O primeiro passo do processo de abordagem, segundo ele, é conscientizar os trabalhadores. “Parte das pessoas nem sabe do que estamos falando e quando você começa a explicar que o imposto sindical é um dia de salário descontado no mês de março elas lembram. A partir daí destacamos que a CUT está fazendo uma campanha com real objetivo de ter sindicatos fortes, representativos, que defendam os interesses da classe trabalhadora. E que para isso são necessários recursos, mas não um imposto sobre o qual os trabalhadores não podem decidir”, disse.

Muitos, como afirmou o dirigente, não sabem para quais entidades vão e nem como são utilizados os valores debitados de seus salários. Outros, para piorar, são filiados a sindicatos automaticamente sem que sequer conheçam a entidade. Caso dos motoristas Valfranio de Jesus e Haroldo Costa.


“O imposto sindical tem que acabar porque aí os sindicatos vão ter que vir até nós, terão que ralar, brigar, fazer propostas. A maioria, com certeza, é a favor do fim dessa cobrança”, afirmou Costa.

Professor de uma escola técnica de Itatiba, Thomaz da Fonseca, que acompanha um grupo de adolescentes em visita ao Masp também votou e declarou qual sua opção. “Sou favorável à campanha contra o imposto e a favor do fim dessa cobrança. O trabalhador que quer se organizar deve ter autonomia para discutir a forma de financiamento de sua entidade. O imposto cria organizações pelegas”, ressalta.

Para o presidente da CUT, além de fortalecer os sindicatos, a campanha por liberdade e autonomia sindical exigirá a atualização da legislação trabalhista para coibir a repressão contra a classe trabalhadora. “Por um lado, os sindicatos terão que fazer como a maioria que é combativa e representa os trabalhadores: ir até a base, distribuir jornal e boletim e não apenas aparecer uma vez por ano, na época da campanha salarial. Terão de ter organização no local de trabalho e, para isso, será necessário mudar a legislação para coibir práticas antissindicais. Tudo isso faz parte da campanha da nossa central por liberdade e autonomia sindical”, conclui.